Matéria da Folha de S. Paulo aborda "relações perigosas" entre Governo e Proifes
Matéria publicada pela Folha de S. Paulo, neste domingo (17/5), no caderno Dinheiro, aborda as estranhas relações entre o Proifes e o governo federal. Na matéria “Gasto com pessoal deve atingir 5% do PIB neste ano”, o repórter Gustavo Patu, da sucursal de Brasília, relata que “o governo Lula mantém estudos em parcerias com sindicatos dos servidores, que estão entre as principais bases políticas do PT”.
Como exemplo, o repórter cita o projeto de desenvolvimento de um sistema informatizado que permitirá consultar, entre outros dados, o número de contratados e os custos totais de cada categoria do serviço público. “Em vez de ser tocado pelo Planejamento (Ministério), o projeto, com verba total de R$ 370 mil, teve sua execução transferida para a Universidade Federal de São Carlos. E um dos principais pesquisadores, com auxílio mensal de R$ 4.500, é o professor de matemática Gil Vicente Reis de Figueiredo, também presidente do Proifes, que disputa a condição de sindicato dos docentes federais”, diz o texto da reportagem.
O jornal relata também que o contrato do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MP com a UFSCar, que beneficia Gil Vicente, tem sido bombardeado pelo ANDES-SN, descrito como a “entidade sindical mais antiga da categoria”. Em sua defesa, o presidente do Proifes prefere escamotear o verdadeiro problema. “Não há conflito de interesses, o conflito é de uma entidade que, em vez de representar os professores, representa os interesses de partidos políticos”, disse ao jornal
O presidente do ANDES-SN, Ciro Correia, considera que a matéria da Folha de S. Paulo pecou por não ter ouvido os representantes do Sindicato Nacional docente, já que a entidade foi diretamente citada. Entretanto, reitera as denúncias publicadas sobre as relações de conflito de interesses entre o presidente do Proifes e setores do governo Lula. “É inaceitavel que qualquer representante de categoria receba para fazer um estudo ou para trabalhar na equipe de um projeto cujo objeto guarde relação direta com a pauta desta categoria com o governo. Desde que o Proifes foi criado denunciamos os vieses dos vínculos da entidade e de seus dirigentes com gabinetes do governo" afirma.
Ciro Correia lembra que, desde 22/4, a entidade encaminhou pedido de esclarecimento ao MP e à UFSCar sobre o convênio em questão, mas até agora não obteve resposta. À Folha de S. Paulo, o MP disse que “A opção (pela UFSCar) deve-se pela sua reconhecida trajetória histórica como instituição pública e polo de referência na inovação tecnológica do país”, diz a reportagem.
Para o 1º tesoureiro do ANDES-SN, José Vitório Zago, é preciso deixar claro também que, ao contrário do Proifes, o ANDES-SN não pertence ao grupo de sindicatos que está “entre as principais bases políticas do PT”, embora respeite a filiação partidária individual de seus sindicalizados. “Para nós, do ANDES-SN, a função dos sindicatos não é fazer parcerias com os governos, e sim reivindicar, mobilizar e negociar”, afirma.
José Vitório Zago ressalta que a fala de Gil Vicente em sua defesa e em defesa do Proifes só escamoteia a verdadeira natureza do envolvimento entre a entidade chapa branca e o governo. “O fato é que a pessoa que é paga pelo governo para realizar estudos sobre pessoal é a mesma pessoa que, como dirigente, senta à mesa para negociar em nome dos trabalhadores. O conflito de interesses é evidente. Não há o que se discutir”, resume.